segunda-feira, 4 de maio de 2009

despedidas.

Vi-o partir. Vi-o arrumar as malas e a por lá dentro um bocadinho de mim. Do que dele tinha ficado, levou tudo, no seu lugar ficaram apenas vagas memórias (cada vez mais vagas). Do que de mim levou, deitou tudo fora, foi tudo apagado, não há vestígios, não há provas. E entre lágrimas, vi tudo isto calada, assisti a tudo e permiti tudo, sem levantar problemas. Quando partia, chamei por ele, ele não olhou. Foi a última tentativa. Restou-me vê-lo partir e aceitar. Esperei, esperei, esperei e não voltou. Desisti, tinha-se ido embora definitivamente. Via-o ao longe e ele não me reconhecia, não me queria reconhecer.

Doeu.

Agora as memórias são disformes, não sobrou nada. Foi-se tudo. Já não o reconheço, não me lembro dele. Olho para ele e questiono-me se será mesmo ele, porque não vejo nada. Nada de nada. Ele não está lá. Não sei quem é ele. Não tenho vontade de o procurar. Não levou nada de mim, deitou tudo fora e dele nada ficou, descartei tudo. Gostava de dizer que foi pena a forma como as coisas aconteceram, mas não me lembro do que aconteceu. Já não me consigo lembrar do tempo que me roubou. Só me lembro de quando lhe disse "Adeus... para sempre."




Não foi pena teres ido embora, nunca exististe.

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