segunda-feira, 20 de abril de 2009

Temos problemas?

Uma vez alguém me disse "Epa Catarina, odeio problemas." e na altura, deu-me vontade de rir. E deu-me vontade de rir porque a primeira coisa que me veio a cabeça foi que era uma frase tão obvia que não valia a pena sequer ser dita. Afinal de contas, quem gosta de problemas? Ninguém à primeira vista. Um caso discutível, na minha opinião.
Eu cá acho que tenho as duas fases: as vezes, sinto que não tenho problemas e confesso, espero por eles, quando os tenho, queixo-me que não os quero. Penso que isto acontece com toda a gente. Temos de admitir que são os problemas que dão acção à nossa vida. Agradeço muito hoje em dia ter tido este ou aquele problema, porque reconheço que me fizeram crescer. Na altura, caí e aprendi e agora não torno a repetir.
Mas tenho de confessar que detesto quando estou na maior das passividades e vejo ao longe problemas. Detesto quando eles se começam a formar, nuvenzinhas desfocadas começam a ganhar forma e contornos definidos. Vem aí chatice. Daquelas que não podemos evitar, apenas sabemos que vêm e pronto. E porque vieram? Porque alguma coisa para trás correu mal ou porque não deviamos ter feito isto ou aquilo. E o pior é quando a culpa não é nossa, pior é quando foram mandados directamente para nós. E nós não podemos fazer mais que vê-los chegar, esperar que nos atinjam e tentar arranjar forma de os resolver.
Então quando tenho de resolver os problemas dos outros, oh não, aí é que me irrita mesmo. Porque sei que tenho de intervir, tenho em parte opinião e está na minha mão por-lhes fim. Mas por vezes não posso evitar que algo aconteca e quero evitá-lo a toda a força, porque não é comigo, mas é com alguém de quem eu gosto. E então, sinto-me a falhar, mais do que falho comigo mesma. E quero a todo o custo que tudo seja diferente, quero arranjar maneira de mudar a situação e não há volta a dar. E sinto-me culpada, porque digo que está tudo bem quando não está e sei que não vai estar. Mas apenas o faço porque acho que ajuda de alguma forma e porque o futuro, por mais certo que pareça ninguém o pode prever.

E então chego a conclusão que concordo plenamente com a frase inicial, resume tudo. Quem diz isto, não precisa de dizer mais nada.

Odeio problemas.

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