E de cada vez que saio percebo que há tanto mais, percebo que há algo que gosto de fazer, percebo que ao contrário do que me fazem pensar, também eu tenho uma identidade e bem própria. E lembro-me de como se sorri, lembro-me de como falar sem conseguir parar, lembro-me da sensação que é poder saltar, correr, dançar ou cantar sem ter a preocupação de que outros mil vezes melhores do que nós (ou que pelo menos se julgam) estão a olhar para nós e a avaliar-nos, a comparar-nos, ou a deitar-nos abaixo. E apercebo-me cada vez mais, que não preciso de ser rica e de ter uma casa em todo o lado do pais, de ir de ferias para o outro lado do mundo e mais além se for preciso, de saber fazer tudo e bem, saber tocar toda a espécie de instrumentos, saber fazer todos os desportos, de ser um verdadeiro prodígio para ser alguém. Estou afastada de lá e penso que sou mil vezes melhor que todos eles, porque sou livre e simples. Não preciso de dizer tudo o que sei fazer ou tudo o que já fiz para me destacar. Só eu sei o que faço e o que fiz, que até pode nem ser grande coisa, mas satisfaz-me. E secalhar, no fundo, posso não saber, mas secalhar até fiz mais que eles. Sabem lá eles o que é ter horizontes, eles que se fecham só naquele seu mundo em que só entra quem eles escolhem e avaliam previamente. Sabem lá eles.
Livre e simples. Não preciso de ser mais que isso.
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